
11/01/2010
Demanda crescente para novos projetos. Funcionários veteranos saindo da companhia. Quem poderia reclamar dessas pressões nos últimos meses de 2009, quando o ano passou por uma nuvem de miséria econômica?
Certamente
não o diretor de Tecnologia da Informação (TI) da Randall-Reilly
Publishing, Shane Kilgore. Ele ficou magoado ao ver dois talentosos
desenvolvedores de softwares saírem da empresa, mas encarou o fato como
um sinal de que a economia está tomando seus primeiros passos rumo à
recuperação.
Ele planeja contratar novos desenvolvedores em
2010, não apenas para substituir os que saíram, mas também para
trabalhar em novos produtos que serão a demanda quando a recuperação
melhorar.
“As coisas foram congeladas por causa da economia”,
diz Kilgore. “Mas se não lançarmos produtos, não teremos lugares
suficientes para que os consumidores possam investir o dinheiro.”
Ainda
assim, com os sinais de recuperação e até mesmo crescimento de empregos
em 2010, companhias como a Randall-Reilly darão prioridade às pessoas
com habilidades que abrangem várias disciplinas.
Trabalho por projetos
Nem sempre, no entanto, as companhias vão ter um funcionário em
tempo integral, segundo o vice-presidente sênior da Dice Holdings, Tom
Silver. “Algo que vemos as empresas fazendo é trazer um funcionário
trabalhar em um projeto e, quando os negócios voltam à ativa, elas o
contratam para tempo integral”, afirmou Silver.
Segundo a
previsão para 2010 da Computerworld, os planos de contratos para o ano
novo não estão nos níveis de 2009. Menos de 20% dos 312 executivos de
TI entrevistados disseram que planejam aumentar a equipe nos próximos
12 meses; em 2009, esse número era 26%. E cerca de 20% disseram que
planejam reduzir as equipes de TI.
Para os profissionais de TI
que estão ligados no assunto, aqui estão seis tipos de habilidades bem
vistas por entrevistados que prentendem contratar funcionários para o
setor em 2010.
Entre as companhias que planejam contratar, a maior razão para isso
é atender à demanda de novos sistemas e projetos. Isso explica porque
essa é a função de programação e desenvolvimento de aplicações figuram
como as mais valorizadas, de longe, segundo a pesquisa da Computerworld.
“Estamos
vendo novos projetos recebendo aprovação”, afirmou Dave Willmer,
diretor-executivo da equipe de TI da Robert Half Technology. É bem
possível, segundo ele, que esses sejam projetos que foram cancelados no
final de 2008 voltem ao cenário em 2010. A onda de novos projetos
também está criando uma demanda por desenvolvedores de aplicações que
possam atuar como analistas de negócios e gestores de projetos, de
acordo com Willmer.
Em termos específicos, as companhias vão
procurar desenvolvedores com conhecimento em .Net, Java,
desenvolvimento web, código aberto e tecnologias de portal como o
Microsoft Sharepoint, afirmou Willmer.
Cresce a demanda por
pessoas que saibam linguagens de programação especializadas, como Ruby
on Rails e Ajax, segundo Silver. Não há muitos empregos que precisam
dessas habilidades, mas o número de oportunidades tem aumentado desde o
começo de 2009.
Kilgore diz que ele gostaria de encontrar um
desenvolvedor de softwares “híbrido”, que também possa atuar como
analista de negócios. “Precisamos de alguém que possa conversar sobre
negócios e ser um coletor de requerimentos, administrador de projetos e
desenvolvedor de software, todos em um”, ele diz. Kilgore também
precisa de desenvolvedores com habilidade em código aberto – um talento
raro, segundo ele – e profissionais familiarizados com as ferramentas
da Microsoft para ERP e partes de marketing inteligente do negócio.
Willmer
afirma que faz sentido as companhias procurarem desenvolvedores com
habilidades em outras áreas, como analistas ou até mesmo do setor de
garantia de qualidade, já que os recrutadores estão preocupados com o
custo do talento. “Eles estão se certificando de conseguir o máximo com
seus recursos”, disse Willmer.
Os entrevistados da pesquisa da
Computerworld também disseram que precisam de desenvolvedores para
construir aplicações caseiras, como medida para economizar dinheiro. É
o caso do administrador de serviços de informações da Covdien, James
Sullivan.
Sullivan pretende adicionar em breve três ou quatro
programadores/analistas com conhecimentos de negócios e experiências em
Java ou .Net, além de compreensão de bancos de dados SQL. Isso
representa um aumento de 25% em seus padrões de contratação, e é uma
mudança em relação aos anos anteriores, nos quais ele procurava apenas
habilidades de programação.
Um dos projetos da Covidien para 2010 é migrar de
aplicações personalizadas de terceiros para aplicações comerciais de
prateleira ou trazê-las de casa. Isso, segundo Sullivan, reduziria os
gastos com fornecedores e consultorias, além de permitir ao seu grupo
oferecer suporte e contornar as mudanças de negócios mais rapidamente.
Isso se relaciona a uma tendência crescente na Convivien de aproveitar
melhor os recursos existentes. “Se algo leva dez horas por dia, estamos
perguntando como fazê-lo em uma hora”, afirmou Sullivan.
Não é surpresa que haverá uma forte demanda por pessoas nesse setor
em 2010; a necessidade por técnicos de suporte tende a refletir as
condições gerais dos negócios, afirmou Silver. “Conforme os negócios
começam a melhorar, as companhias contraram mais pessoas, o que aumenta
a demanda pela equipe de help desk”, ele explica.
Willmer diz
que já percebe um aumento na demanda por help desk e suporte,
especialmente em torno de companhias que fizeram muitos cortes nesse
setor em 2009. “Eles podem se sair bem com isso por um determinado
tempo, mas o problema ressurge e afeta as receitas”, completou Willmer.
A demanda por profissionais de rede, segundo Willmer, está
relacionada à crescente complexidade das redes e ao estresse colocado
sobre elas pela computação em nuvem e softwares como serviços.
O
CIO da Energy Northwest, Keith Cooke, afirma que o setor de redes será
uma área de foco em 2010. A sua companhia está usando cada vez mais
vídeo e voz sobre rede IP, portanto precisará de engenheiros de rede,
voz e rádio para tratar de atualizações e assegurar que elas se
encaixem nos padrões federais.
Silver vê a area de gestão de projetos como um setor que cresce em
importância e um bom local para profissionais de tecnologia
interessados em ampliar suas carreiras. “Profissionais que entendem a
tecnologia e como ela se encaixa nas estratégias de negócios são os
mais valiosos, recebem mais e tem as melhores carreiras”, afirmou
Silver.
Willmer vê relação entre a demanda por habilidades de segurança e a
economia ainda cambaleante. “A maior ameaça para as companhias são as
falhas em sua própria equipe. Quando se muda a equipe e enfrenta
empregados insatisfeitos, as chances de uma fraude de rede ou infração
de segurança aumentam", afirma.
Enquanto isso, Cooke, está
concentrado em contratar pessoas com habilidades em segurança
cibernética. “Dez anos atrás, não nos preocupávamos – como líderes de
nossas companhias – com questões como senhas. Agora estamos nos
certificando de apoiar senhas complexas. É uma nova realidade”, afirmou
Cooke.
Segurança é uma habilidade sempre procurada, segundo
Silver. “Se você souber como ajudar a manter seguras as informações da
sua companhia, ela será sua casa para sempre.”
Os entrevistados pela Computerworld classificaram a inteligência de
negócios (BI, em inglês) como sexta colocada em importância. Mas, para
Kilgore, BI é uma prioridade maior. “Como uma organização de tamanho
menor, estamos atrasados na questão da BI. Não temos a verba para fazer
um ano de trabalho R&D, portanto precisamos nos virar”, afirmou
Kilgore.
Já Sullivan gostaria de encontrar um arquiteto de dados
para ajudar na conversão da Covidien em uma corporação de nível padrão.
Mais importante do que um especialista de BI, no entanto, são
programadores/analistas que podem relacionar o conteúdo de tabelas,
bancos de dados e estruturas de informações aos requerimentos de
negócios. “Acho que isso vale mais para nós neste estágio de
estabelecimento de BI e uso pelo setor de negócios”, afirmou Sullivan.